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Domingo, 10 de Maio de 2015

Superficialidade midiática na cobertura da Mobilização Nacional Indígena

 Os povos indígenas são importantes e contribuem demasiadamente para a formação da população brasileira. Esse mesmo povo que ocupa boa parte de terras do país passa por dificuldade e enfrenta problemas que atingem diretamente sua cultura. O movimento indígena se mostra cada vez mais forte, com lideranças próprias, articulação entre os povos e parcerias com entidades de apoio.

Por meio dessa força de lutar por respeito e seus direitos na sociedade que nasceu a APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), essa organização discute ideias, executa propostas, sugere políticas públicas e realiza projetos alternativos de sobrevivência e produção econômica nas comunidades. Com seu apoio e de diversas organizações/movimentos sociais aconteceu, na terceira semana de abril de 2015, a Mobilização Nacional Indígena.

A imprensa deveria ter mais participação, visto que a mesma possui o poder de conscientizar e mostrar as faces de grandes movimentos, que são extremamente relevantes para a construção da sociedade. Porém, é notório que muitas vezes isso não acontece e quando apresentam os fatos são de maneiras superficiais, como podemos analisar nas notícias de alguns jornais de Mato Grosso do Sul a seguir.
 
O site Campo Grande News aborda o tema citando trechos de bloqueios em rodovias que foram realizados no Estado. Usa apenas uma fonte representando uma determinada aldeia e chama atenção para alguns pontos como a PEC 2015 e as possíveis mudanças na Funai (Fundação Nacional do índio). O site Midiamax não sendo diferente, trata também de forma sucinta, não aprofundando o assunto.
 
Já o jornal impresso O Estado informa a notícia com uma escrita mais elaborada, se diferenciando das outras justamente pela maneira como foi apresentada ao leitor. O gancho é o mesmo, mas possuem duas fontes diferentes e a maneira como os fatos e opiniões são colocados nos da a impressão de que a notícia é sem dúvida a melhor entres as outras que foram analisadas. Com isso, percebemos a importância de como uma matéria bem estruturada faz diferença.
 
O ponto crucial desta análise é demostrar que os veículos, apesar das discrepâncias, retratam o assunto de forma breve, não dando atenção para a importância das lutas indígenas. Nada justifica não se informarem, não correrem atrás de fontes, mostrarem para a população o que está em jogo. Nosso estado possui povos, etnias, culturas variadas e é necessário que ocorra uma maior valorização e conscientização. Afinal, a luta também é nossa.
Fonte: Cinthia Migueis Arruda - acadêmica de Jornalismo da UFMS e pesquisadora do Observe