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Sexta-feira, 12 de Junho de 2015

A repercussão do caso Olarte no Fantástico

No domingo de 17 de maio, o programa Fantástico da Rede Globo exibiu, após fazer várias chamadas no canal durante a semana, uma reportagem acusando o prefeito de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, de repassar cheques em branco recebidos de seus próprios eleitores para agiotas. É um fato que Mato Grosso do Sul não costuma figurar muito nos programas exibidos em âmbito nacional, portanto, quando isso acontece, a repercussão nos veículos midiáticos do estado costuma ser grande.

 A proposta de análise aqui é, antes de mais nada, verificar como se deu essa repercussão. O objetivo não é entrar na discussão sobre as supostas ações do prefeito nem debater politicagens, mesmo que no campo jornalístico. O pretendido é elucidar de que forma os jornais analisados, que incorporam veículos tanto televisivos quanto virtuais, lidaram com a reportagem feita por um outro programa e de que maneira isso refletiu nos envolvidos.

O MSTV 1ª Edição, um dos principais telejornais da região, se limitou a exibir no dia 18 uma reportagem sobre o caso mencionado pelo Fantástico apenas se aproveitando dos fatos utilizados na mesma. Ainda no mesmo dia, outra matéria é apresentada informando o público que o prefeito estava fazendo uma reunião para discutir as denúncias feitas no programa da Globo. O Bom Dia MS faz uma reportagem no mesmo cunho - porém bem mais completa (com cerca de oito minutos) - expondo as mesmas problemáticas, mas nem sequer menciona a matéria do Fantástico.

Todos os outros veículos analisados foram webjornais: Capital News, O Estado Online, MS Notícias, Midiamax e Topmídia News. O que todos eles fizeram, e nenhum dos dois telejornais analisados propôs diretamente, foi noticiar as reações do prefeito diante da matéria do programa da Globo. As infrações de Gilmar Olarte e a repercussão do caso do Fantástico na mídia sul-mato-grossense se configuram como fatos jornalísticos diferentes, mas diretamente relacionados.

O caso aqui se diferencia porque o prefeito se utilizou de uma página em sua rede social (Facebook) para exercer seu direito de resposta, veiculando um vídeo que criticava duramente a chamada da reportagem que seria exibida pelo Fantástico. No vídeo, de cerca de um minuto e dez segundos, Olarte acusa o programa de ser sensacionalista, violento e estúpido na execução da reportagem e se diz indignado e revoltado com a situação.

Todos os sites de notícias fazem, além da midiatização das controvérsias políticas em si, um relato que gira em torno do vídeo disponibilizado pelo prefeito, mencionando e explicando diretamente o cunho da matéria exibida pelo Fantástico. O Estado Online chega até a veicular imagens satíricas que circularam pelo Whatsapp.

Essa interação entre o social e o formal, o espaço público virtual e o espaço público político, é de extrema importância para a disseminação de informações atualmente. A televisão está, de fato, mais limitada nesse âmbito, mas ainda assim é possível se relacionar com ele dando atenção para o que ocorre nas redes sociais, principalmente se for algo importante como um vídeo do próprio prefeito se defendendo de acusações graves.

Fonte: Larissa Moreti de Lima Ribeiro - acadêmica de Jornalismo da UFMS e pesquisadora do Observe